Objetivo desse blog



O objetivo desse blog é compartilhar com vocês aquilo que tenho ganhado na comunhão com os santos e ao ler a palavra do Senhor!


"Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos." Jeremias 15.16


domingo, 5 de maio de 2013

Reunião de aperfeiçoamento na palavra - O IMPÉRIO DAS TREVAS versus O REINO DE DEUS


COMUNHÃO PARA EDIFICAÇÃO MÚTUA



Antes da queda do homem, o mundo existia somente no sentido da terra, das pessoas da terra e das coisas da terra. Então, ainda não havia kosmos, nenhum mundo no sentido de uma ordem constituída. Com a queda, no entanto, Satanás começou o sistema mundano sobre o qual estamos falando. Originalmente, nossa terra física não tinha nenhuma conexão com “o mundo”, no sentido de sistema satânico; nem mesmo o homem a tinha. Mas Satanás tirou vantagem do pecado do homem, da porta que se lhe abriu, para introduzir na terra a organização que tinha se proposto a estabelecer. A partir daquele momento a terra e o homem passaram a estar “no mundo”. Podemos dizer que, antes da queda, havia uma terra; após a queda, havia um mundo; quando o Senhor retornar, haverá um reino. Assim como o mundo pertence a Satanás, o reino pertence ao nosso Senhor Jesus. Este o reino que remove e que removerá o mundo. Quando a pedra cortada sem auxilio de mãos, esmiuçar a imagem da vaidade humana, então os reinos do mundo se tornarão de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre (Dn2:44-45; Ap 11:15).
Política, educação, literatura, ciência, arte, leis, comércio e música são as coisas que constituem o mundo, e com elas nos defrontamos diariamente. Estudando a história da humanidade, temos de reconhecer um claro progresso em cada uma dessas áreas. A questão, no entanto, é: Para que direção este “progresso” está caminhando? Qual o objetivo final de todo este desenvolvimento? No Evangelho de João lemos que o anticristo se erguerá e estabelecerá seu próprio reino neste mundo (1 Jo 2:18, 22; 4:3; 2 Jo 7; Ap 13). É para essa direção que o mundo avança. Satanás está utilizando o material do mundo, os homens do mundo, as coisas que estão no mundo, para, finalmente, comandar tudo no reino do anticristo.
O livro de Gênesis não faz nenhuma alusão de que no Éden tenha havido alguma tecnologia ou instrumentos mecânicos. Após a queda, no entanto, lemos que entre os filhos de Caim havia um forjador de instrumentos cortantes de bronze e ferro (4:22). Hoje, nas mãos dos homens, os metais têm sido usados para fins sinistros e mortais, e, à medida que o fim se aproxima, a difusão do abuso da tecnologia e da engenharia tornar-se á mais visível. O mesmo se aplica à música e às artes, pois a flauta e a harpa também parecem ter-se originado com a família de Caim, e, hoje, em mãos profanas, sua natureza de oposição a Deus torna-se cada vez mais clara. Quanto ao comércio, suas conexões são talvez ainda mais suspeitas. Satanás foi o primeiro comerciante, negociando com Eva, visando seu próprio benefício. Mas quanto à educação? Certamente, afirmamos que ela deve ser inofensiva, pois de algum modo nossas crianças precisam ser ensinadas. Mas a educação, não menos que o comércio e a tecnologia, é uma das coisas do mundo que também tem suas raízes na árvore do conhecimento do bem e do mal. E quanto a ciência? Esta também é uma das unidades que constituem o “mundo” e também é conhecimento. Quando nos aventuramos nos maiores avanços da ciência, e começamos a especular sobre a natureza do mundo físico e do homem, surge, imediatamente, a questão: Até que ponto são legítimas as pesquisas e descobertas científicas? Já se foi o tempo quando precisávamos sair para ter contato com o mundo. Hoje, o mundo vem ao nosso encontro. Há uma força que está seduzindo os homens. Você já havia sentido o poder do mundo de forma tão intensa quanto nos dias de hoje? Você já havia ouvido falar tanto em dinheiro? Você já havia pensado tanto em comida e roupas? Para qualquer lugar que você vá, mesmo entre cristãos, as coisas do mundo dominam as conversas. O mundo tem avançado para as portas da própria igreja, buscando arrastar até os santos de Deus para seu domínio. Nunca antes prezamos tanto conhecer o poder da cruz de Cristo para nos livrar destas coisas como no presente tempo. Há uma força espiritual por trás deste mundo que busca embaraçar os homens neste sistema. Portanto, não é simplesmente contra o pecado que os santos de Deus devem manter a guarda, mas contra o “príncipe deste mundo”; para que não sejamos encontrados auxiliando Satanás na construção de seu reino.
Contudo, a sentença de julgamento de nosso Senhor claramente indica que tudo o que constitui o mundo está fora do propósito de Deus: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso” (Jo 12:31). Isso claramente indica a condenação de tudo o que coopera para a construção do mundo e jamais teriam sido ditas por Jesus se não houvesse algo radicalmente errado com ele. Jesus está enfatizando não apenas a íntima relação entre Satanás e a ordem mundana, mas o fato de que a condenação do mundo está ligada à de seu príncipe. Temos, então, de encarar o fato de que Deus pronunciou o julgamento, não apenas sobre um grupo seleto de coisas deste mundo, mas, imparcialmente, sobre todas elas.
A repetição da frase “conforme a sua espécie” em Gênesis 1, representa uma lei da reprodução que governa toda a esfera da natureza biológica. Entretanto, ela não governa a esfera do Espírito. Geração após geração, pais humanos podem gerar filhos humanos segundo a sua espécie; mas uma coisa é certa: cristãos não podem gerar cristãos (Jo 1:13). Mesmo que o casal seja cristão, nem assim as crianças geradas serão, automaticamente, cristãs. É necessário nascer de Deus, ser regenerado. Como, então, podemos ser livres desse embaraço? Por natureza, estamos todos presos na armadilha do sistema satânico e não temos como escapar, a não ser pela misericórdia do Senhor; dependemos tão somente de Sua compaixão e de Sua obra redentora para ficarmos livres dela. Vimos que o curso natural de todas as coisas que estão no mundo segue em direção a Satanás e para longe de Deus. Portanto, não é de admirar que os olhos de Satanás estejam sempre voltados para o final do mundo, na perspectiva de que, a seu tempo, todas as coisas do mundo voltar-se-ão para ele.
Em Atos 2:40 Pedro disse: “Salvai-vos desta geração perversa”, e a resposta a essa exortação foi que os que receberam sua palavra creram e foram batizados. Hoje somos confrontados por dois mundos, duas esferas de autoridade, sendo as duas totalmente diferentes e com caráter oposto. A questão é se eu pertenço a uma ordem de coisas em que Cristo é o Senhor soberano, ou a uma ordem oposta de coisas que tem Satanás como seu líder efetivo. Portanto, a salvação não é tanto uma questão pessoal de pecados perdoados ou de inferno evitado. É melhor que seja vista em termos de um sistema do qual nós saímos. Quando sou salvo, faço meu êxodo de um mundo todo e procedo a minha entrada em outro: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1:13). Estou salvo agora, fora daquele reino organizado que Satanás construiu em rebeldia ao propósito de Deus. No Evangelho de Marcos lemos que Jesus disse: “Quem crer e for batizado será salvo” (16:16). Quando damos esse passo de fé, isto é, quando cremos e somos batizados, obtemos a salvação. Portanto, nunca tenhamos o batismo num conceito inferior. A questão trata de dois mundos violentamente opostos entre si e de nossa transição de um para o outro.
Para ilustrar isso há, nas Escrituras, outra passagem que fala do batismo e da salvação juntos. Em 1 Pe 3 é dito que “a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvas através da água, a qual, figurando o batismo, agora também vos salva” (20-21a). Isso significa que você não pode carregar nada do mundo anterior para o novo. O que pertencia ao reino antigo das coisas de Adão lá permanece e jamais pode ser recuperado. Talvez, anteriormente, você tenha sido funcionário de uma loja, empregado em uma casa, patrão, gerente ou diretor de uma empresa. Ainda hoje você pode ser um patrão ou mesmo um empregado, mas ao ser salvo e vir para a igreja de Deus e para o serviço a Deus, descobrirá que não há mais escravo ou livre nem patrão ou empregado. Você pode ser um judeu ou gentio, ou qualquer outra coisa que lhe traga prestígio. Ao atravessar esta água, todas as coisas daquele sistema se vão e nunca mais retornam. Você passa enxergar-se a si mesmo em Cristo, em quem não há judeu, nem grego, bárbaro ou cita, ou qualquer outra coisa, mas um novo homem (Cl 3:11)). Finalmente, o que preenche a lacuna? Qual o degrau que liga esses dois mundos? Não é o sepultamento? Fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte. Nossa libertação do mundo não começa quando desistimos disto ou daquilo, mas quando vemos, com os olhos de Deus, que este é um mundo sob a sentença de morte. Jesus disse aos Seus discípulos: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (Jo 15:19). Jesus está dizendo que Seus discípulos foram “escolhidos fora para fora do mundo”. Você foi chamado para fora. Se Deus o chamou, Ele o fez para que você viva, em espírito, fora do sistema mundano. A Igreja não é santa porque desejamos sinceramente ser santos, mas porque somos nascidos de Deus. E se nada pudemos fazer para obter nossa origem celestial, do mesmo modo não há nada que possamos fazer para manter-nos afastados fisicamente deste mundo; devemos prosseguir para outro estágio. Em Romanos 14:17, vemos que a vida cristã é algo que está além da discussão sobre o que devemos ou não fazer: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”; ou seja, fomos chamados para viver numa esfera celestial. O cristão vive e é guiado, não por regras que determina o quanto ele não pode misturar-se com os homens, mas pelas qualidades interiores (2 Pe 1:3-4) que lhe são medidas pelo Santo Espírito de Deus.
Não vivemos nossa vida em compartimentos separados: portamos-nos como cristãos quando estamos reunidos como igreja e como seres seculares no restante do tempo. Não há nada em nossa profissão ou em nosso emprego que Deus deseja que seja dissociado de nossa vida como Seus filhos. Tudo o que fazemos, seja no campo, na estrada, na loja, na fábrica, na cozinha, no hospital ou na escola, tem valor espiritual no reino de Cristo. Por meio da Sua graça e da habitação interior do Espírito, a igreja possui uma força vital, inata que a capacita a mover-se constantemente em direção a Deus. Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé: “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1 Jo 5:4-5). A chave para a vitória está sempre em nosso relacionamento de fé com o Filho vitorioso: “Tende bom ânimo, Eu venci o mundo” (Jo 16:33b). Somente Jesus poderia fazer tal declaração; e pôde fazê-lo, pois, anteriormente, afirmara: “Já não falei muito convosco, porque aí vem o príncipe do mundo, e ele nada tem em Mim” (Jo 14:30). Foi a primeira vez que alguém na terra fez tal afirmação. Ele disse isso e venceu, e, por meio de Sua vitória, o príncipe do mundo foi expulso e Jesus começou a atrair os homens para Si mesmo.
A Igreja não glorifica a Deus quando sai do mundo, mas quando irradia Sua luz nele. O problema hoje não está na pecaminosidade, mas no mundanismo. Quem ousaria dizer-lhe que você está agindo errado quando come e bebe? Quem desaprovaria o casar-se ou dar-se em casamento? Quem questionaria seu direito de comprar e vender? Tais coisas não são erradas em si mesmas, errada é a força espiritual que está por trás delas, a qual por mediação de Satanás faz uma pressão implacável sobre nós. Despertemos para o fato de que, apesar de tais coisas serem tão simples e comuns, estão sendo usadas por Satanás para atrair os filhos de Deus para a grande rede de sua ordem mundana. “Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguês e das preocupações deste mundo, e para que naquele dia não venha sobre vós, repentinamente como um laço” (Lc 21:34). O Senhor está nos alertando para que não sejamos pressionados excessivamente pelos cuidados desta vida, que pertencem à nossa presente existência na terra. A questão será sempre: onde está o seu coração? Somos exortados a não deixar nosso coração sobrecarregado ou oprimido com as coisas mundanas, mas ter um viver governado pela vida divina que recebemos. 

Texto adaptado do livro: Não ameis o mundo – Watchman Nee.

Nenhum comentário:

Postar um comentário