Objetivo desse blog



O objetivo desse blog é compartilhar com vocês aquilo que tenho ganhado na comunhão com os santos e ao ler a palavra do Senhor!


"Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos." Jeremias 15.16


domingo, 5 de maio de 2013

REFRIGÉRIO MÚTUO




No Evangelho de João está registrado um evento cheio de significado divino que traz urna grande luz para nós quanto à questão de viver no mundo. Ele está no capítulo 13, em que nosso Senhor Jesus cingindo-se com uma toalha e tomando uma bacia, lava os pés de Seus discípulos. Esse ato de Jesus tem lições para nos ensinar. Ler João 13:1-17.
O que é este mútuo lava-pés? Qual é o significado de lavar os pés do meu irmão e também de que meus pés devem ser lavados por ele? O aspecto enfatizado aqui é o refrigério, que é algo muito precioso para nosso Senhor Jesus; e nós, Seus filhos, precisamos aprender a ministrar refrigério aos nossos irmãos, para que eles também sejam instrumentos de refrigério ao nosso espírito. Essa passagem não se refere ao pecado. Se andarmos descalços ou com sandálias, ou, até mesmo com sapatos, a poeira acumulada em nossos pés será inevitável: não poderemos impedi-la. Mas se rolarmos na poeira de modo que ela grude em nosso corpo e roupas, isso não é inevitável, é totalmente errado. Posso ir de um lugar para outro, mas é totalmente desnecessário, para mim, rolar pela rua para chegar lá. Posso fazê-lo sem rolar na lama. Da mesma forma, na vida cristã, tropeçar, cair, e então, rolar no pó, certamente é pecado. Isso exige arrependimento e carece do perdão de Deus. Não é necessário caminhar com o Senhor desta maneira, escondendo-me atrás da desculpa de que “preciso cair de vez em quando; é inevitável!”. Isso é errado, todos nós concordamos.
A questão sobre a poeira em nossos pés é que, caminhando pelo mundo, não importa quem ou quão cuidadosos sejamos, é inevitável que alguma coisa fique grudada em nossos pés. É claro que, se não tivéssemos contato algum com a terra, certamente nada dela pegaríamos, mas para conseguir isso, teríamos de ser carregados. Se tocarmos no chão, certamente o que está nele se apegará a nós. O Senhor Jesus censurou Seu anfitrião com as palavras: “Não me deste água para os pés” (Lc 7:44). O lavar mútuo não diz respeito a pecados cometidos, pois para estes sempre há o perdão por meio do sangue de Cristo, dos quais Deus deseja que sejamos libertados. O texto de João 13 que lemos, diz muito mais respeito ao nosso andar diário no mundo, em que é inevitável que alguma coisa se grude em nós. “Vós estais limpos” (Jo 13:10; 15:3) disse Jesus. É assim que ocorre conosco quando pecamos e aplicamos Seu precioso sangue: “Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais, está todo limpo” (13:10).
Temos consciência de que há algo em nós, não um pecado, mas uma camada de poeira que adere como um a película, separando-nos do Senhor; e, então, nos sentimos manchados e sujos. Não há uma via clara e limpa que nos conduz a Deus milagrosamente! Isso ilustra nossa necessidade do lavar os pés. Muitas vezes sentimo-nos cansados e esgotados em virtude de nossos serviços seculares. Quando paramos para orar parece que temos de esperar por um instante, que vamos levar dez ou vinte minutos para voltar à presença de Deus, ou se nos sentamos para ler a Palavra, parece que precisamos de certo esforço para estar abertos novamente ao Seu falar. Mas como é bom quando, ao voltar para casa, encontramos um irmão com um coração transbordante, com o frescor da comunhão com Deus! Sem qualquer outra intenção ele simplesmente aperta nossa mão e diz: “Irmão, louvado seja Deus!”. Ele pode nem saber, mas de alguma forma é como se viesse sobre nós um espanador e limpasse tudo. Imediatamente sentimos que o nosso contato com Deus foi restaurado. Às vezes, você chega numa reunião de oração como o espírito pesado sob o efeito do dia de trabalho. Alguém pode orar, mas você continua sentindo a mesma coisa; outro ora, e não há diferença. Depois de certo tempo, você começa a sentir o desejo de orar com desfrute. Você foi refrescado; seus pés foram lavados. O que, então, significa lavar os pés? Significa restaurar seu frescor original, estar novamente na presença de Deus. Muitas vezes ficamos deprimidos, não exatamente por causa de algum pecado, senão por nos sentirmos cobertos pela poeira do mundo. Quando encontramos um irmão, mesmo que ele não saiba da nossa situação, com uma palavra traz nova luz para tudo: a escuridão se vai, a película é tirada. Louvado seja Deus, quando isso ocorre somos refrescados e restaurados, de imediato sentimos Seu toque novamente. Isso é o lava-pés: refrescar os irmãos em Cristo, trazer os irmãos à presença de Deus. Este é o ministério, de um para outro, que o Senhor deseja ver entre Seus filhos.
Se caminharmos com Deus, seremos um refrigério para nossos irmãos. Este é um dos maiores ministérios: pode ser um aperto de mão, uma palavra de encorajamento. O Senhor terá Seu caminho em nós se não houver nenhuma nuvem entre nós e Deus; e ainda perceberemos que estamos sendo quietamente usados por Ele. Podemos nem estar cientes disso, pois é melhor não saber que estamos sendo usados por Ele. Mas, quer saibamos ou não, constantemente, somos usados para o refrigério de nossos irmãos. Desse modo, quando alguém estiver desanimado e em trevas, quando tiver um fardo no coração, uma venda nos olhos, quando tiver seu brilho apagado e manchado, então ele virá até nós. Talvez ele nem se demore, ficando por apenas por alguns minutos. Nessa hora busque em Deus a graça para ajudá-lo. Normalmente gostaríamos de pregar longos sermões para uma grande plateia, mas poucos possuem este dom e muitos não são alcançados. Por outro lado refrescar o coração dos santos é um tipo de ministério que qualquer um pode exercer para alcançar outros em qualquer lugar. Na avaliação de Deus isso não tem preço!
Se realmente caminharmos com o Senhor, não haverá dúvidas de que seremos usados, pois, para Ele não há limitações. Se nós mesmos estivermos brilhando com um coração transbordante da Sua alegria e paz, certamente haverá um verdadeiro gozo em Deus. Mas para servir os outros desta maneira, precisamos atender algumas condições. Existe algum ponto de controvérsia entre você e Deus? Não há necessidade de ficarmos procurando para encontrar, pois o próprio Senhor irá revelar. Quando Ele quiser trazer à luz algo que você tem negligenciado, há de apontar-lhe tal coisa e você saberá. Não há necessidade de voltar seus olhos para dentro de si mesmo e ficar analisando cada sentimento para tentar extirpá-lo. Simplesmente louve a Deus! É papel de Deus, e não seu, brilhar em seu coração e mostrar-lhe quando você está longe Dele. Se você tiver alguma controvérsia com Deus, poderá manchar as pessoas; jamais poderá lavar-lhes os pés. Quando estiverem deprimidas, você as deixará ainda mais deprimidas; quando estiverem pesadas, você fará com que se sintam mais pesadas. Em vez de refrescá-las e restaurá-las com o frescor que vem de Deus, irá empurrá-las para a mais profunda depressão. Estar em desacordo com Deus é o caminho certo para fazer vazar a vida divina nos irmãos. A maior manifestação do poder de Deus está na capacidade de constantemente edificar os irmãos. Não tem preço esse toque do Senhor que levanta, limpa e renova os irmãos.
Jesus lavou os pés de Seus discípulos como forma de expressar Seu amor por eles (João 13:1). Ele mostrou aos Seus discípulos o que entendia por ministério: não é um trabalho de púlpito, de grandes mensagens, mas é servir uns aos outros, restaurando os que caíram, trazendo arrependimento aos que pecaram e refrigério aos que foram contaminados pela poeira do mundo. O desejo do Senhor é que cada um de nós seja capaz de infundir Sua vida nos irmãos que se encontram apagados pela poeira do mundo. Qualquer um de nós pode, de vez em quando, cometer algum pecado, mas porque somos sensíveis a isso buscaremos o Senhor e encontraremos Seu perdão. Mas, muitas vezes, quando estamos apagados por efeito da poluição do mundo, permanecemos despreocupados. É aí que o impacto divino, que deveríamos causar sobre o mundo, fica neutralizado. Como é bom, nessas horas, ter irmãos por perto, que podem erguer-nos a novamente ter uma renovada comunhão com Deus.
Aquele que refrigera também deve esperar ser refrigerado pelos outros. Muitas vezes o Senhor usa você para refrigerar outros; mas outras vezes Ele usa alguém para refrigerar você. Nenhum de nós está livre de andar por este mundo sem necessitar de refrigério. Não podemos pensar que temos tamanha comunhão com Deus e que, por isso, estamos livres da contaminação do mundo, como disse Pedro: “Nunca me lavarás os pés” (Jo 13:8). Não existe uma classe superior de irmãos que não necessitam de refrigério, cada servo de Deus depende disso. Quer trabalhemos em uma oficina ou em uma cozinha o dia todo, precisamos que alguém nos ajude a restaurar o nosso brilho. Não importa se trabalhamos em qualquer esfera secular ou espiritual, o mundo está ao nosso redor, cercando-nos. Consequentemente, de vez em quando precisamos que os irmãos nos ajudem a encontrar aquele toque refrescante de Deus, aquela renovação do poder divino.
Quanto mais caminharmos com o Senhor, mais precisamos dos irmãos para refrescar e ser refrescados. Nenhum de nós é insignificante e já alcançou o ponto de não necessitar de ser ministrado por alguém. Se crermos o suficiente para praticarmos tais palavras, o poder de Deus fará tremer as mais poderosas fortalezas de Satanás e a igreja será edificada dia a dia.
“Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes” (Jo 13:17).
                Texto adaptado do livro: Não ameis o mundo – Watchman Nee.

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